27.10.20
DOUTORADO - AULA 09 - PANDEMIA, RACISMO, COLONIALISMO E GENOCÍDIO - 20202
PROF. RICARDO MARTINS
AULA 09 - PANDEMIA, RACISMO, COLONIALISMO E GENOCÍDIO
2020/OUT/27
O QUE VEREMOS?
• NEGROS, INDÍGENAS E POLÍTICAS DE MORTE
• CARTAS AOS AMIGOS BRANCOS
• FABULAÇÕES POLÍTICAS
1. NEGROS, INDÍGENAS E POLÍTICAS DE MORTE
MILANEZ, Felipe; VIDA, Samuel.
Pandemia, racismo e genocídio negro e indígena no Brasil: políticas de morte.
CRISE
emergência
crise
exceção
medo
governamentalidade
quando vcs se lembram que não estávamos em crise?
sem liberdade
sem igualdade
sem direitos
sem democracia
sem vida
sem existência
sem o outro
sem o contato
no entanto, nada está posto
tudo por fazer!
RACIONALIDADE ECONÔMICA NEOLIBERAL
racionalidade econômica neoliberal
ver na morte do outro uma "liberdade" / "escolha" / "oportunidade" para si
lógica de sobrevivência e morte!
semelhante ao campo de concentração
GENOCÍDIO ÉTNICO
as vítimas preferenciais são as comunidades
urbanas
rurais
vulneráveis
deixar morrer
política de extermínio
divergência de dados de letalidade dos movimentos sociais e do estado
mesmo na morte têm a identidade negada [índios enterrados como pardos, p.ex.]
cultura e ideologia racistas / colonialistas (Carmichael, Hamilton, 1967)
racismo / colonialismo institucional brasileiro
nazismo e eugenia à brasileira
pacto narcísico da branquitude (Cida Bento, 2002)
lógica da negação, separação, exclusão
brasil = racismo + colonialismo + genocídio!
Krenak = "os brancos continuam fazendo de conta que têm um país civilizado"
[país hitlerizado! hitlerismo/bolsonarismo como colonialismo interno do humanismo burguês]
CINISMO
discurso cínico de responsabilização das vítimas "indisciplinadas"
motivação para opressão, repressão e criminalização
subnotificação como estratégia de invisibilizar
solução final para o agronegócio
políticas de desconstitucionalização de direitos
ALTERNATIVAS
mobilização = ativismo popular e dos movimentos sociais
convencer as instituições jurídicas [MPFs, MPEs, DPU, DPEs]
opinião pública nacional e internacional
OEA e ONU [direitos humanos]
2. CARTAS AOS AMIGOS BRANCOS
DESPENTES, Virginie.
Carta aos meus amigos brancos que não veem onde está o problema.
SE VOCÊ PODE PENSAR E ESQUECER, É PRIVILEGIADO
não somos racistas?
quantos ministros negros?
quantos negros presos?
quantos jornalistas negros?
quantos fotógrafos negros?
quantas recusas de restaurantes em servir negros?
quantas vezes perguntam pelos documentos dos negros?
quantas vezes os negros são parados pela polícia?
quantas vezes tudo isso acontce nos bairros populares?
quantas vezes tudo isso aumentou na pandemia?
quantas vezes é maior a taxa de mortalidade da pandemia para os negros?
por que para os negros a polícia dá medo?
por que para oa negros a cidade dá medo?
poder pensar ou esquecer dessas perguntas é um privilégio branco!
os negros não pensam, vivem!
os negros não esquecem, são lembrados!
NEGACIONSIMO
o pacto narcísico da branquitude
"eles, os negros, se isolam mal"
"que horror, por que tanta violência?"
"mas eu nunca matei ninguém"
"mas eu não sou estuprador"
ALTERNATIVA
dizer a verdade
exigir justiça
para todos
brancos e negros!
3. FABULAÇÕES POLÍTICAS
VASCONCELOS, Jorge.
Fabulações políticas e um povo preto porvir, um devir: quilombista de uma manifestação em tempos de pandemia.
CONTRARIEDADE
7 de junho de 2020, um domingo
Ato/Passeata/Ação Coletiva
“Vidas Negras Importam”
contra o Estado Necropolítico e seus poderes constituídos sobre nós
políticas de extermínio coletivo
espécie de “solução final” à brasileira
SINGULARIDADE
multidão = maioria de jovens negrxs
“Vidas Negras Importam”
singularidade política
primeira manifestação popular massiva de rua/na rua,
desde que a Pandemia de Covid-19 se abateu sobre nós
direito à cidade
resistência à política genocida
ALTERNATIVAS
“novo” horizonte de possibilidades
"novos" mundos
"novas" vidas
instituir planos, ações, novas sensibilidades e formas/modos de vida
instituir novas fromas de participação política
invenção coletiva, comum, comunitária, colaborativa
desejos revolucionários, antifascistas, antirracistas, antipatriarcais
fabulações políticas = coletiva X imaginação = singular
afirmar as forças fabulatórias que já estão em jogo
O QUE É E NÃO É FABULAÇÃO POLÍTICA
A fabulação é, justamente,
uma singular invenção coletiva
de um povo que enuncia e pratica
formas outras de
invadir e ocupar o mundo
NÃO É UTÓPICO
Ato/Passeata/Ação Coletiva
“Vidas Negras Importam”
prática política fabulatória
que instituiu um povo preto porvir
não se confunde com um projeto utópico futuro
constituição do próprio presente
lutas ordinárias e cotidianas
povo preto posto em sua presença radicalmente presente em nossa Atualidade
NÃO É REVOLUCIONÁRIO
não se confunde com um projeto revolucionário
devir revolucionário
devir-quilombista da política
Trata-se menos de processos identitários,
mas de práticas coletivas de aliança antirracistas, antifascistas e antipatriarcais
Atualização alvissareira,
no presente,
dos lugares-Quilombolas
criados por negrxs escravizadxs,
atravessados, como d’antes,
por políticas
de acolhimento, resistência e contra-ataque.
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